Após mais de cinco anos no Papão, Rogerinho Gameleira é demitido do clube por contenção de gastos



Rogerinho Gameleira não faz mais parte do quadro de funcionários do Paysandu. Ex-volante, auxiliar técnico e mais recentemente comandante do time Sub-20, o profissional foi demitido nesta semana sob a justificativa de “contenção de despesas” e deixa o clube após cinco anos e meio atuando no fora das quatro linhas no futebol alviceleste.

– Eles me falaram que era ‘contenção de despesas’, que a equipe foi rebaixada para a Série C e tinham que fazer essa contensão. Não fizeram nenhuma proposta de diminuição de salário, nada a esse respeito, infelizmente – afirmou Rogerinho, em entrevista exclusiva ao GloboEsporte.com.

Como jogador, foram dez temporadas no Papão, divididas em duas passagens. A primeira foi de 1989 a 1993. Passou cinco anos no Remo e voltou ao Paysandu para seu período mais vitorioso no clube, de 1999 a 2003. Quando encerrou a carreira, tornou-se auxiliar técnico do Santa Cruz de Cuiarana em 2012 e retornou ao Alviceleste em junho de 2013, na nova função.

Assim que chegou, na gestão de Vandick Lima, Rogerinho foi auxiliar de Givanildo Oliveira. Em pouco tempo assumiu a função de forma permanente, ou seja, independente das eventuais trocas de técnicos do elenco profissional. Em todo o período como auxiliar assumiu o time profissional de maneira interina dez vezes - cinco vitórias, três empates e duas derrotas (veja a lista completa no final do texto).

Em 2017 concluiu graduação em educação física, requisito necessário para tirar licença de treinador da CBF. No final do mesmo ano, problemas de relacionamento com o então técnico Marquinhos Santos fizeram com que ele fosse “rebaixado” para o comando do time Sub-20.

Ao GloboEsporte.com, Rogerinho Gameleira afirmou que não guarda mágoas do clube, pelo contrário. Ele agradeceu a oportunidade de investir na nova carreira, mas lamentou não ter recebido uma chance de assumir o time profissional de maneira efetiva. Por fim, acredita que um dia ainda pode retornar Papão.

Confira a entrevista na íntegra a seguir
Como você recebeu a informação da saída do Paysandu? Como se sentiu? “Eu penso que faz parte. Claro que a gente fica triste com a situação. A gente gosta muito do clube, vinha fazendo um bom trabalho. Nesses cinco anos e meio trabalhamos com bastante treinadores, tivemos muito êxito quando tivemos que assumir o time, a torcida me apoiou bastante nas vezes que assumi o time em situações críticas, conseguimos os resultados positivos. Por isso me senti um pouco triste, mas acho que faz parte do futebol. A gente também está consciente disso”.

Qual a avaliação que você faz do seu trabalho como auxiliar e depois do Sub-20? “Penso que foram muito proveitosos os anos que tive como auxiliar técnico do Paysandu. Assumi por dez vezes a equipe, ganhei seis vezes (cinco, na verdade), empatei duas (três) e perdi duas. Creio que já estou preparado para a função de auxiliar técnico e também de treinador. Trabalhei com vários treinadores de ponta e, o mais importante, foi que eu ganhei assumindo o Paysandu nos momentos mais críticos. Ganhei de treinadores de renome, como Celso Roth, do Coritiba, pela Copa do Brasil; Adilson Batista, na Série B, contra o Figueirense; Dado Cavalcanti, que estava no Paraná; e vários outros. Então me sinto muito orgulhoso por tudo isso. O apoio da torcida foi primordial para que a gente pudesse ganhar essas partidas. Procurei também me atualizar. Fiz o curso de educação física, nível superior, e fiz também o curso de nível B da CBF, em São Paulo, além de várias atualizações pela Universidade do Futebol. Estou muito atualizado”.

A sua saída de auxiliar do profissional para técnico do Sub-20 pegou muita gente de surpresa. Como você recebeu a mudança naquele momento? Fica alguma mágoa com o clube e com o que aconteceu? “Não fica nenhuma mágoa, não. É irrelevante isso. Claro que eu estava preparado para ficar no profissional. Infelizmente a nossa base, no Paysandu, não tem estrutura para a gente trabalhar. A minha qualificação, com todo respeito a base, mas não era para lá, era para estar trabalhando no profissional. Como o futebol não é linear, a gente procurou fazer um bom trabalho na base também, com todas as dificuldades. Mas não é mágoa não de quem desceu para a base, pelo contrário, tenho que agradecer aos presidentes que passaram nesses cinco anos e meio, que são Vandick, Maia, Tony, Serra... todos eles contribuíram para a minha evolução no futebol”.

Você esperou, em algum momento, ser efetivado como técnico do time profissional? Caso sim, quando? Sente-se preparado para esse tipo de trabalho? “Eu me sinto preparado para assumir essa função, de técnico de futebol. Fiz o jogo contra o Boa Esporte, empatamos em 0 a 0, e fiz o jogo contra o CRB. Perdemos de 2 a 1 na época e o treinador era o Dado. Esperava realmente que eu fosse efetivado. Mas, com tudo isso, todos os treinadores eu procurei ajudar da melhor maneira possível, com a minha inteligência e sabedoria, além do conhecimento que tenho sobre o Paysandu. São coisas que a gente sabe do dia a dia, porque a gente jogou no Paysandu durante dez anos e estávamos cinco anos e meio como auxiliar. Então tinha muita coisa para dar, para falar para os treinadores. Procurei ajuda-los da melhor maneira possível, até porque a equipe ganhando, ganha todo mundo”.

  O que representa o Paysandu na sua vida?
“O Paysandu representa muita coisa na minha vida. Quando vim ao clube como jogador de futebol tinha 21 anos de idade, começando uma carreira. Todos os bens materiais que tenho hoje foram com o meu futebol, minha inteligência e sabedoria e com a ajuda do Paysandu também. O mais importante de tudo isso é que nós conseguimos escrever situações positivas no clube. Fomos bicampeões brasileiros, fomos campeão da Copa Norte, da Copa dos Campeões, participei da campanha da Libertadores e fomos três vezes campeões paraense. Então é muita coisa. Isso é muito importante. E como auxiliar técnico também obtive muito êxito. Aprendi muito. O Paysandu me proporcionou tudo isso. Tenho carinho muito grande por esse clube. E acho que não é um tchau, acho que é um até mais, porque vou continuar me aperfeiçoando, atualizando e a qualquer momento podemos voltar”.

E agora, você deixa Belém? Vai investir na carreira de treinador em outro local ou pretende fazer outra coisa? “Vou para São Carlos (SP) ficar ao lado da minha família, da minha esposa e da minha filha. Esses cinco anos e meio foram de dedicação total ao Paysandu. Vou dar um descanso com a minha família, morava em Belém sozinho. Vou buscar me atualizar mais para a carreira de treinador. A princípio vou estar em São Paulo, vou ver como está o mercado lá, e quem sabe depois a gente dá outros voos mais altos na carreira”.

Jogos de Gameleira como interino

Paysandu 2 x 0 Paraná (Série B 2013)
Paysandu 2 x 1 Figueirense (Série B)
Avaí 2 x 0 Paysandu (Série B 2013)
Sport 0 x 0 Paysandu (Série B 2013)
Paysandu 2 x 1 Coritiba (Copa do Brasil 2014)
Paragominas 1 x 2 Paysandu (Parazão 2015)
Bragantino 0 x 0 Paysandu (Série B 2016)

Criciúma 0 x 3 Paysandu (Série B 2016) Paysandu 0 x 0 Boa Esporte (Série B 2017)

CRB 2 x 1 Paysandu (Série B 2017)

GE
09/01/2019

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