Derrota do Papão e lama no Diogão são destaques da coluna do Gerson Nogueira



Quem achava que o estádio Diogão tinha o pior campo do Parazão, com o charco visto no jogo entre Bragantino e Remo anteontem, teve que rever seus conceitos apenas um dia depois: o gramado do Navegantão em Tucuruí parecia ontem um verdadeiro pântano, dificultando tremendamente as coisas tanto para o Independente como para o Papão, que acabou derrotado e perdendo a invencibilidade na temporada.

Foi um embate marcado pela luta permanente dos jogadores para controlar a bola, torcendo ainda para que os chutes e lançamentos não parassem nas poças d’água ou deslizassem além do planejado.

O começo da partida foi repleto de chutes a esmo dos dois lados, muito mais para se livrar da bola do que para tentar a construção de lances mais elaborados. O Independente teve uma oportunidade logo de cara após Fazendinha cobrar falta na área do Papão. A bola ficou presa na água, esperando um chute, mas a defesa conseguiu afastar.

Logo em seguida, Tiago Mandií arrancou pela direita e cruzou para Joãozinho, que disparou por cima da trave. Aos 7 minutos, Nicolas tocou de cabeça para a entrada de Elielton, mas Mocajuba se antecipou e desviou a bola em direção ao próprio gol. Redson se esticou e mandou a escanteio.

Aos 12’, outra chegada forte do ataque do PSC. Marcos Antonio conseguiu erguer a bola na área e o volante Caíque cabeceou rente à trave direita de Redson.

Aos 21’, Elielton foi atingido dentro da área. Paulo Rangel cobrou a penalidade. Redson, muito bem colocado, defendeu o chute rasteiro. A perda do penal abateu visivelmente os bicolores, que recuaram permitindo ao Independente tomar conta das iniciativas ofensivas.

Não havia esquematização de jogo, nem distribuição tática visível em meio ao lamaçal. Era na vontade e na força física. Muitas bolas divididas, faltas duras e erros constantes dos jogadores nas tentativas de acertar a bola.

O Independente, mesmo tendo mais presença no ataque, não criava chances claras de gol. A única jogada mais aguda ocorreu aos 48’, quando Joãozinho entrou em velocidade pela direita e foi tocado pelo goleiro Mota quando já saía pela linha de fundo.

A falta foi batida pelo próprio Joãozinho, que não desperdiçou, mandando no canto esquerdo da trave alviceleste, para deixar o Galo Elétrico em vantagem no final do primeiro tempo.

Léo Condé, diante da necessidade de ir em busca do empate, trocou Elielton por Paulo Henrique, tornando a linha de frente mais forte para encarar o duelo com a zaga do Independente, liderada pelo bom Dedé.

E foi o zagueiro macapaense que brilhou como artilheiro na segunda metade da partida. Logo aos 6 minutos, ele subiu mais que os quatro marcadores do PSC e testou cruzamento de Mocajuba. O cabeceio de cima para baixo venceu Mota e ampliou a vantagem do Galo no placar.

O Papão tentou reagir aos 18’ com uma falta bem cobrada por Tiago Primão. Redson defendeu de soco e, no rebote, Vítor Oliveira chutou para fora. Dois minutos depois, o gol finalmente saiu. Paulo Rangel controlou a bola na entrada da área e deu um passe cruzado para Nicolas desviar para as redes.

Por reclamação, Tiago Mandií foi expulso logo depois do gol do PSC, deixando o Galo ainda mais vulnerável. Condé buscou então reforçar o meio-campo colocando Alan Calbergue no lugar de Primão. A ideia era ter um jogador de boa pontaria para tentar arremates de média distância. Alan ficou devendo e quase não participou das jogadas.

Aos 39’, surgiu o gol que liquidou a fatura. Dedé subiu novamente entre os zagueiros e cabeceou fora do alcance de Mota, decretando a vitória do Independente por 3 a 1.

Para um jogo disputado em gramado impraticável, a marcha do placar garantiu um mínimo de emoção à torcida. Não por acaso, três dos quatro gols da noite foram feitos em jogada aérea.

Dedé, zagueiro do Galo, foi disparadamente o melhor em campo, tanto como defensor quanto como goleador, posicionando-se bem na área do PSC para aproveitar a lentidão da dupla de zaga Micael-Vítor Oliveira.

Lama do Diogão faz CBF mudar local de jogo

As imagens do campo esburacado e enlameado do estádio Diogão convenceram a CBF a aceitar a solicitação do Aparecidense, que pediu a troca do local da partida válida pela 2ª fase da Copa do Brasil. Por esse motivo, o Bragantino terá que enfrentar o visitante no estádio Mangueirão, na próxima quarta-feira (10), às 19h15, deixando de faturar com a renda em seu próprio estádio.

De toda sorte, não se pode criticar o Aparecidense pela iniciativa. Campos como o do Diogão e do Navegantão não poderiam servir de local para jogos oficiais. A esculhambação que envolve os critérios de fiscalização de estádios no Parazão acaba por permitir situações intoleráveis.

Enquanto se preocupa com maçanetas, cadeados e torneiras de pias, a comissão de fiscalização da FPF ignora um aspecto fundamental do jogo: a perfeita condição do gramado para a prática de futebol, em respeito aos torcedores e em prol da segurança de atletas e árbitros.

DOL
05/04/2019
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